Uber confirma que protesto fez milhares de pessoas deletarem o app

Por Felipe Demartini | 12 de Abril de 2019 às 10h11
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Centenas de milhares de pessoas apagaram o aplicativo da Uber de seus celulares durante um protesto realizado em janeiro de 2017, que acusava a empresa de tentar lucrar com o banimento a viagens imposto pelo presidente americano Donald Trump. A manifestação levou a empresa a citar movimentos em redes sociais como um de seus fatores de risco em seu documento de abertura de capital registrado nesta quinta-feira (11).

A citação parece mostrar que o movimento #DeleteUber foi um dos maiores e mais significativos já sofridos pela companhia. Ela não fala exatamente quantas pessoas apagaram o aplicativo ou deixaram de utilizar a plataforma por conta dos protestos, mas afirma que eles foram responsáveis não apenas por uma grande baixa no número de usuários, mas também por aumentar um sentimento de desconfiança em relação ao serviço de transportes.

Nos papéis, a companhia admite que os escândalos e problemas do passado afetaram sua marca significativamente e indica que a reputação original da empresa ainda não foi restabelecida. Publicidade negativa, como o protesto, e a cobertura da mídia sobre a empresa também contribuíram para isso, no que a Uber acredita ser um fator capaz de causar “sofrimento ao negócio”.

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O movimento #DeleteUber surgiu nas redes sociais após o presidente Donald Trump anunciar que cidadãos de sete países, sendo seis de raízes muçulmanas, estavam proibidos de entrarem nos Estados Unidos. A medida afetou 700 pessoas e levou à revogação de 60 mil vistos apenas em sua etapa inicial, antes de ser precedida por mais duas ordens executivas que acabaram derrubadas pela justiça do país.

Na ocasião, taxistas e motoristas particulares entraram em greve, deixando também de atender aeroportos como o John F. Kennedy Internacional, em Nova York. A Uber, entretanto, tomou atitude contrária e permaneceu funcionando no local, além de ter desativado as tarifas dinâmicas no que afirmou ser uma atitude para garantir a mobilidade dos viajantes e usuários.

Não deu muito certo e a empresa acabou sendo acusada de tentar lucrar em cima da greve dos motoristas. A hashtag #DeleteUber, então, começou a crescer no Twitter e incentivava os usuários a não apenas apagarem o app de seus celulares, mas também deixarem de utilizá-lo e encerrarem suas contas, algo que, como os documentos da companhia demonstram agora, foi efetivo o suficiente para ser citado em um relatório dessa magnitude.

O caso também aconteceu em meio a um período complicado para a Uber, que se via envolta em acusações de assédio sexual por uma de suas funcionárias e com o escândalo envolvendo o estupro de uma passageira na Índia. Os casos, juntamente com outros problemas de conduta, levaram à renúncia do fundador e então CEO da empresa, Travis Kalanick.

A oferta pública de ações da Uber promete ser a maior já realizada no mundo da tecnologia, com a venda de US$ 10 bilhões em cotas da companhia, um total maior que o recorde registrado em 2014 pelo e-commerce Alibaba. Com isso, a companhia alcançaria um valor de mercado de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões, em negociações que estariam marcadas para começarem no mês que vem.

Fonte: Business Insider

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