E3 2019 | Quem "venceu" o evento deste ano? E quem passou vergonha?

Por Rafael Arbulu | 14 de Junho de 2019 às 11h59

Passada a loucura que é a E3 2019 e todas as suas conferências, é chegada a hora de sabermos, de fato, quem teve o melhor — e o pior — desempenho do evento.

Considerando tudo o que viu, a equipe do Canaltech pesou todas as informações publicadas aqui no site e decidiu, quase que por unanimidade, o que foi o melhor e o pior da feira, bem como coisas que passaram tão batido que mereceriam um troféu “Nem precisava ter ido” (se tal premiação existisse de fato, claro!).

Responder a uma pergunta desse tipo é sempre algo condicionado à opinião. Evidentemente, nem todo mundo vai concordar com o que vamos dizer a seguir, mas os comentários logo abaixo do texto estão aí para isso, então não deixe de nos contar o que você achou da E3 deste ano e qual, no seu pensamento, foi o maior (e o menor) destaque da feira!

Participe do nosso Grupo de Cupons e Descontos no Whatsapp e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

A campeã tem gosto de croissant

A conferência da Ubisoft foi praticamente unanimidade na redação do Canaltech e foi escolhida como a melhor deste ano. A justificativa para isso também foi quase unânime.

A publisher francesa soube aproveitar bem o seu espaço com uma conferência que, nas palavras do nosso redator Felipe Demartini, “não precisou ir ao ponto mais alto, mas também não desceu ao mais baixo”. É fato que as franquias apresentadas pela empresa já eram ou esperadas, ou já haviam sido vazadas, mas a forma como Watch Dogs Legion e Rainbow Six: Quarantine foram mostrados — ambos, fugindo do lugar comum de seus jogos predecessores — fez com que a Ubisoft mantivesse o hype bem aceso em antecipação pelos fãs.

Watch Dogs em si, foi o ponto de maior destaque: a empresa abriu a conferência com um jogo que havia vazado a meros dias antes da feira. Mas, mesmo assim, mostrou gameplay denso, comprovou que estava atenta ao feedback de crítica e público em relação aos jogos anteriores e detalhou bem o conceito de “controle todos os NPCs”.

Isso, ligado ao fato de que a empresa não deixou nenhuma plataforma nem alienou nenhum público — do hardcore ao casual — em seus anúncios, contribuiu para que seu desempenho na E3 2019 fosse nada menos que memorável. Agora, resta saber se a empresa vai cumprir com pelo menos 80% do que a conferência prometeu. Aguardemos (e oremos!). Pela consistência de sua apresentação, a empresa conseguiu até mesmo compensar a falta que fez um novo Splinter Cell ou Beyond Good and Evil 2 (mas a gente ainda quer saber desses dois, Ubi!)

Menção honrosa: Nintendo

A apresentação do Direct da Nintendo durante a E3 2019 foi nada menos que espetacular. Tivemos um novo Zelda, o retorno de Luigi’s Mansion, informações sobre Pokémon, novos conteúdos para Super Smash Bros. Ultimate… a Nintendo sempre soube anunciar bem seus projetos futuros e desta vez não foi diferente.

Havia até um certo medo de que a transmissão fosse vazia, haja vista que uma edição do programa da empresa já havia sido veiculada pouco antes da feira. Não foi o caso: a Nintendo trouxe conteúdo extremamente interessante e, para quem é fã das franquias da empresa, não há do que reclamar.

Ela só não levou a coroa de campeã porque, convenhamos, alguns teasers que foram exibidos só isso, teasers. No intuito de atiçar seu público, ela acabou mostrando algumas coisas que, fossem tiradas da apresentação por inteiro, não fariam muita diferença. A continuação de Breath of the Wild, por exemplo, entra nessa categoria: caberia facilmente em um anúncio em separado, antes ou depois da E3, a exemplo do que a empresa fez com Pokémon Sword & Shield.

A derrota do ano

Que nos desculpe a Electronic Arts, mas o que foi aquela apresentação, afinal? Praticamente nada foi mostrado e, do que foi de fato mostrado, nada empolgou, nada surpreendeu. A sensação de que a publisher americana ficou devendo foi perene em público e mídia.

Considerando o grande volume de franquias poderosas que a Electronic Arts tem na manga, e confrontando-o com o que foi mostrado na E3, a impressão que fica é que a empresa não tinha ou não quis mostrar nada, mas abriu a conferência na E3 simplesmente para marcar uma presença na maior feira do mercado. E não, Star Wars Jedi: Fallen Order não salvou.

Nem mesmo FIFA, que teve diversas novidades anunciadas recentemente e chegou a empolgar o público com um modo que remete ao antigo e divertidíssimo FIFA Street, conseguiu salvar a conferência com tons mais divertidos. Fora isso, a melhor parte da tarde de conferências na EA foi uma transmissão de aleatoriedades e amenidades de Apex Legends e que, para a nossa redação, funcionariam melhor se fossem apenas exibições de trailers.

Troféu “Veio aqui pra quê, mesmo?”

Ah, Bethesda. O que dizer de uma empresa que dedica a maior parte de sua conferência para se desculpar (com ressalvas enormes e desnecessárias) pelas mancadas ocorridas com o lançamento de seu projeto de MMO Fallout 76? Apreciamos o gesto, mas as novidades apresentadas pela empresa pouco fizeram para reverter uma entonação de público já pendente para o lado negativo.

Pior é que, aqui, talvez um caso de mudar a ordem de exibições fizesse mais justiça ao que a Bethesda tinha para apresentar. As expansões de Fallout 76 foram uma boa adição de conteúdo, mas elas meio que eliminam um ponto que foi parte considerável do marketing de lançamento do jogo: a Bethesda se gabava de o jogo não ter nenhum NPC e que qualquer pessoa que você encontrasse seria um jogador também e... bom, agora o jogo tem NPCs, ficando mais próximo da franquia standalone e offline dos consoles.

Ao menos tivemos pontos altos com DOOM Eternal, cujo gameplay e anúncios empolgaram uma conferência até então enfadonha; e Ghostwire Tokyo, do lendário Shinji Mikami, rendeu interesse da comunidade especializada.

Fez falta

A ausência da Sony na E3 deste ano machucou a feira. E muito. É difícil especular o que a mãe do PlayStation 4 poderia ter trazido à ocasião, mas pense: detalhes sobre o “PlayStation 5” (incluindo se esse será mesmo o nome do novo console); Death Stranding e Shenmue III como exclusividades para o console japonês; Final Fantasy VII, outra exclusividade do PS4, ganhando detalhes adicionais além do que vimos com a Square Enix… Isso sem falar nas coisas que não teríamos como antecipar: imagine se num momento de loucura temos um novo God of War. Improvável? Claro. Impossível? Bom, ninguém contava com um “zeldinha” novo e olha aí o que a Nintendo fez…

O ponto é: a Sony tinha muito o que mostrar para o público. Escolheu não fazê-lo e se ausentar da feira. Espera-se que a empresa vá favorecer um evento próprio onde apresentará suas novidades. Do ponto de vista de negócio, faz muito sentido: quem não atua na indústria raramente sabe disso, mas o preço para se participar de uma E3 não é exatamente “um trocadinho”. Mas, para nós, gamers, fica a espera mais longa que o de costume.

A Activision também é outra que poderia ganhar uma conferência de peso, apesar de que a novidade mais recente dela é, que surpresa, um novo Call of Duty que já foi anunciado e relativamente detalhado, então talvez a empresa tenha se resguardado para não correr o risco de ser o que a EA foi este ano.

E para você? Quais foram os momentos mais marcantes da E3 2019? Deixe a sua opinião na caixa de comentários aqui embaixo.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.