Cambridge Analytica é declarada culpada pelo uso indevido de dados do Facebook

Por Wagner Wakka | 10 de Janeiro de 2019 às 14h50
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A Cambridge Analytica foi declarada culpada pelo escândalo que resultou no uso indevido de informações de mais de 87 milhões de usuários do Facebook no ano passado. A empresa descumpriu uma ordem de um órgão regulador britânico para que fossem reveladas as informações que tinham sobre um professor britânico. As informações são da AFP.

Ao se negar a enviar as informações, a empresa admitiu a culpa e foi multada em 15 mil libras ( aproximadamente R$ 70 mil), além de 6 mil libras (~ R$ 28 mil) pelos custos do processo.

O órgão britânico havia exigido que a empresa revelasse as informações que possuía de um professor chamado David Carroll, que pediu que fossem esclarecidos quais dados a Cambridge Analytica tinha sobre ele e como a companhia tinha obtido tais informações.

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Em 2017, o professor já havia pedido à empresa SCL Elections Ltd, detentora da Cambridge Analytica, que respondesse estas perguntas. Apesar de ser americano, o professor estava processando uma empresa britânica, motivo pelo qual pediu ao Information Commissioner's Office (ICO) que gerenciasse o processo. O órgão inglês passou a pressionar a empresa ainda mais quando o escândalo veio à tona em março de 2018.

Pelo Twitter, Caroll chegou a explicar o processo. contra a SCL em post no Twitter.

“Foram dois anos de uma complexa batalha judicial entre dois continentes. Felizmente, este caso [o do ICO contra a empresa] vai fazer com que seja mais fácil com que outros recuperem seus dados”, disse na rede social.

Diante da negativa, o órgão entendeu que a empresa se declara culpada sobre o assunto. A Cambridge Analytica, contudo, ressaltou ao órgão que "este julgamento não sugere o uso indevido de dados", e se recusa a assumir que estaria relacionada ao problema do Facebook.

Ainda, Caroll considera que, ao se negar a entregar as informações, a SCL sabe que isso pode dar consequências ainda maiores para ela, motivo que levanta a suspeita de que a empresa é efetivamente culpada pelo problema.

Relembre o caso

Em março do ano passado, uma matéria do The Guardian revelou que a Cambridge Analytica, empresa de assessoria política, teria usado informações de usuários do Facebook para a criação de campanhas relacionadas à eleição de Donald Trump e da saída do Reino Unido de acordos da União Europeia, evento conhecido como Brexit.

A companhia teria conseguido os dados por meio de um quiz que tinha permissão de levantar informações de usuários para uso estritamente acadêmicos. A empresa era encabeçada por Aleksandr Kogan e Christopher Wylie, respectivamente, pesquisador e marqueteiro da empresa.

O uso indevido de tais dados mostrou uma brecha de segurança de utilização de informações de usuários do Facebook. Segundo análise da própria rede social, foram 87 milhões de contas usadas de forma indevida pela empresa. O Brasil apareceu como o oitavo mais impactado: 443 mil contas foram compartilhadas pela Cambridge Analytica, o que representa 0,5% das informações totais.

Com isso, o Facebook passou a ser investigado pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (Federal Trade Commission ou FTC, no original em inglês). No ano passado, o CEO da rede social, Mark Zuckerberg também foi convidado a participar de audiências no senado e congresso norte-americanos para falar sobre o escândalo.

Fonte: BBC

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