Black Mirror | Fórmula repetida traz episódios pouco impactantes na 5ª temporada

Por Natalie Rosa | 22 de Junho de 2019 às 13h00
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Estreou no início deste mês, na Netflix, a tão esperada quinta temporada de Black Mirror. A felicidade, no entanto, não durou muito, afinal apenas três episódios foram liberados, sendo a temporada mais curta já lançada desde que o seriado veio para as mãos do serviço de streaming.

Além disso, diferente das temporadas anteriores, os três novos episódios de Black Mirror não chocaram, não polemizaram e não perturbaram. Ao menos não tanto quanto os anteriores. A série que foi criada para ser uma crítica traçando um paralelo entre o digital e a vida real, desta vez apenas usou da tecnologia para situações rasas, que não causam muita reflexão, aparentemente apenas mais para entreter do que para criar um debate.

Atenção! Este texto contém spoilers, se você ainda não assistiu à temporada, pare de ler por aqui.

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Striking Vipers

Striking Vipers foi um grande plot twist. O episódio começa mostrando a vida do casal Theo (Nicole Beharie) e Danny (Anthony Mackie) e o melhor amigo de Danny, Karl (Yahya Abdul-Mateen II).

Anos se passaram, a amizade entre os dois foi se dissolvendo e a vida de casal com filho era a realidade de Theo e Danny. Em um reencontro na festa de aniversário de Danny, os amigos se reaproximam quando Karl o presenteou com uma versão moderna do jogo que eles costumavam jogar na juventude: Striking Vipers.

Imagem: Divulgação/Netflix

O game é jogado com um acessório que já vimos em temporadas anteriores. Você conecta as pecinhas nas laterais da cabeça, na região da têmpora, e imerge em uma realidade virtual que acontece apenas no cérebro, deixando o corpo físico imóvel.

Logo na primeira partida do jogo de luta, você começa a pensar em diversas hipóteses do que pode acontecer, mas o que realmente acontece provavelmente não passou pela cabeça da maioria. Enquanto Danny escolhe um personagem homem, Karl escolhe uma mulher, e eles acabam se sentindo atraídos dentro do jogo. É quando, então, em vez de lutar, o casal se envolve em relações sexuais, cada um em sua respectiva casa.

Imagem: Divulgação/Netflix

Os "encontros" começam a ser frequentes, mas ignorados na vida real. Talvez a crítica seja de que vivemos duas vidas diferentes, a real e a digital, ou ainda que somos capazes, atualmente, de encontrar prazer apenas na vida virtual.

Mas, segundo o criador do episódio, Charlie Brooker, Striking Vipers tem uma analogia ao pornográfico e ao constrangimento masculino. "Eles não têm muita certeza de quem eles são de uma certa maneira e do que eles significam um para outro, e como eles expressam isso, e é uma forma de se comunicarem", diz.

Imagem: Divulgação/Netflix

Brooker diz ainda que a proposta é semelhante ao que vimos no episódio San Junipero, mas com uma abordagem diferente.

Se você achou o cenário um pouco familiar, este episódio de Black Mirror foi gravado em São Paulo, mas nada na série indica de que os personagens estavam no Brasil, não passando de apenas uma externa de gravação.

Imagem: Divulgação/Netflix

Smithereens

Se for para escolher o episódio que mais chocou, mesmo que seja pouco, e que mais passou o sentimento que só Black Mirror pode oferecer, este seria Smithereens. O episódio deixa claro no final que, sim, é uma crítica descarada sobre o uso dos smartphones e outros dispositivos digitais conectados à internet.

Imagem: Divulgação/Netflix

Depois de perder a esposa em um acidente de carro causado por ele mesmo, Chris (Andrew Scott), em um ato planejado, sequestra Jaded (Damson Idris), o estagiário da empresa de rede social que ele costumava ser viciado. Ele pede para que o funcionário recém-contratado o coloque em contato com Billy Bauer (Topher Grace), o fundador e CEO da empresa, para que ele lhe diga algumas coisas.

O que ele queria, afinal, era apenas contar ao executivo que o acidente que matou a sua esposa foi causado por ele após uma distração com o celular, enquanto consultava a rede social, e que ele deveria fazer algo para que o vício não prejudicasse mais pessoas.

Imagem: Divulgação/Netflix

Em meio ao caos em que Chris estava vivendo, Billy Bauer estava em uma espécie de retiro espiritual, optando por não ter contato com ninguém e nenhuma tecnologia durante todos esses dias.

Ao conseguir contato com o executivo, Bauer faz de tudo para que Chris não cometa suicídio e, em alguns momentos, até parece estar sentido com isso tudo. Mas quando chega ao fim, ele retorna ao seu estado de meditação. Então, fica a pergunta: os executivos realmente se importam com o usuário?

Imagem: Divulgação/Netflix

Rachel, Jack and Ashley Too

Miley Cyrus interpreta a artista Ashley O, uma cantora "teen" que faz sucesso com letras melosas e ritmos repetitivos. Ela tem como fã a adolescente Rachel (Angourie Rice), que perdeu a mãe há pouco tempo e vive com a irmã mais velha, Jack (Madison Davenport), e o pai, Kevin (Marc Menchaca).

Imagem: Divulgação/Netflix

A artista é tão popular que lança um robô, Ashley Too, com o seu cabelo e personalidade, equipado com uma assistente pessoal. Rachel ganha a boneca de aniversário e nem imagina que, em poucos meses, se tornaria tão próxima de seu ídolo.

Ashley, na verdade, não é nada do que aparece na televisão, feliz, bem-sucedida e sorridente. Na verdade, ela é controlada por sua tia e empresária Catherine (Susan Pourfar), que lhe dá medicação para que a sobrinha sempre seja manipulada por ela.

Ao descobrir que os remédios não estavam mais sendo tomados e que o objetivo de Ashley era se matar de overdose, Catherine descobre que a ingestão de todos os comprimidos só resultaria em um coma. Com isso, ela coloca as pílulas na comida de Ashley para que ela seja internada e tenha um coma induzido por meses.

Imagem: Divulgação/Netflix

Então, a tecnologia começa a agir. A robô de Rachel, que tem a exata personalidade de Ashley e sabe tudo sobre a vida dela, alerta a jovem de que a artista estava correndo perigo. Enquanto isso, Catherine planejava uma turnê de shows com o holograma da sobrinha. As irmãs só conseguiram essa informação, aliás, porque o pai trabalha com inteligência artificial e elas conseguiram remover o componente que escondia a identidade mais obscura de Ashley.

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A partir daí, nada de Black Mirror, mas sim cenas de um filme adolescente em que jovens menores de idade e um mascote conseguem derrotar adultos para salvar o mundo.

Talvez, a fórmula esteja apenas repetida demais ou nós que ficamos mal acostumados com o “desgraçamento mental” da proposta da produção. Se esta última for a resposta, talvez esses episódios de Black Mirror serviram para mostrar que estamos tão confortáveis com a tecnologia que temos em nossas mãos que nos acomodamos tanto que nada mais nos choca.

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