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Huawei Nova 3: que espécie de P20 PRO é essa?

14:51 | Por Adriano Ponte | 08 de Novembro de 2018
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Que a Huawei está vindo para o Brasil de forma oficial você já sabe, afinal o Canaltech News está aqui diariamente para isso; o que você quer mesmo saber são novidades, e hoje trazemos em detalhes o Huawei Nova 3 em mais esta análise do Canaltech.

NOVA 3, COM "NOTCH"

Uma das características que têm definido a identidade Huawei é o arco-íris com aspecto metalizado que ilustra alguns de seus telefones, e temos esse detalhe no Nova 3, com cores vibrantes como esperado.

Esse colorido aparelho pesa aproximadamente 166g, sendo sua construção em vidro na frente e atrás, com moldura de alumínio; é a manutenção da tendência que temos visto em inúmeros aparelhos, mesmo com o aspecto mais vivo e chamativo. A espessura do aparelho é de 7.3mm (que combinada com o peso dele causa uma impressão de “leveza”, dando ao Nova 3 quase uma cara de “aparelho compacto” ao meramente senti-lo pelo tato e sua distribuição de peso). A leve curvatura presente na união entre a frente do aparelho e sua moldura faz o conjunto ficar uniforme ao toque, deixando a pegada do aparelho muito agradável.

Analisando o resto do corpo do Nova 3 temos o local para a leitura de impressões digitais na traseira, mantendo um espaço inteligente entre o sensor e as câmeras. O uso é opcional, afinal existe um “bigodinho” na frente do aparelho (sim, um “notch”) que habilita o reconhecimento facial no Nova 3. Também oculta-se ali um LED, dentro do falante superior do aparelho.

Aqui precisamos de uma observação especial sobre o aparelho. Inúmeros modelos de Android tem tediosamente copiado à exaustão o iPhone X, inserindo uma tarja preta sem utilidade na tela para agradar os usuários que gostam de bigodes; a questão é que este erro de design no iPhone X é justificado pela empresa como “local para abrigar sensores de reconhecimento facial avançado”, ao passo que no Android usualmente nada de útil acontece ali que justifique a tarja. No caso do Nova 3 essa quase “cópia” do iPhone segue a mesma lógica, colocando no “Notch” sensores capazes de mapear o rosto do usuário, permitindo que mesmo no escuro o aparelho seja capaz de saber se realmente é você.

Isso é diferente do que existe em aparelhos Android que meramente usam a câmera frontal para reconhecer sua foto em tempo real, envolve a leitura do mapeamento infravermelho da face, dando para o “notch” do Nova 3 quase o mesmo propósito do presente nos iPhones.
Em geral o recurso funciona bem, porém muita luz incidente no rosto confunde o reconhecimento do infravermelho; isso não ocorre sempre, porém precisamos avisar que não é à prova de falhas. O acionamento do leitor facial pode ocorrer ao pressionar o botão de desbloqueio do Nova 3 (ou) de forma automática, ao levantar o aparelho (realizando a leitura imediata do rosto e já exibindo a tela ativada e desbloqueada).

Uma coisa nos chamou a atenção nesse reconhecimento: além de legítimo (assim como nos iPhones), o recurso mostra alguns pontos de maturidade bem relevantes no Nova 3. É possível desbloquear o aparelho em ângulos estranhos, e até mesmo rotacionando o aparelho em posições claramente irreais. Gostamos bastante, porém ainda seguimos utilizando o bom e velho leitor de impressões digitais (que funciona muito bem), além de servir como alternativa precisa e matadora para quem não pretende utilizar o escaneamento de face.


DISPLAY + MULTIMÍDIA

Tomando boa parte da frente do Nova 3 temos sua tela IPS LCD de 6.3”, aproveitando pouco mais de 84% da frente do smartphone com resolução de 1080 x 2340 pixels (19.5:9), fechando em ~409 ppi de densidade.

Infelizmente nessa parte o Nova 3 pula na direção oposta do P20 PRO com sua tela AMOLED, trazendo resultados menos interessantes (assim como esperado).
E para quem acha que nossa caça à modinha do “notch” não faz sentido, observem bem: o entorno do “notch” no topo do Nova 3 é ligeiramente mais escuro que o resto do painel, sendo isso mais perceptível ao puxar a barra de notificações do sistema para baixo, indicando que o formato “complexo” da tela teve algum efeito colateral na retroiluminação dessa parte da tela.

Indo para o resto do display, fica claro que falamos de mais um daqueles aparelhos que balança a percepção de LCD versus AMOLED. As imagens são muito boas, com nível de detalhe ótimo e cores bem vivas, sendo isso esfregado na cara do usuário com as belas paisagens e cenas da tela de bloqueio do aparelho; ao reproduzir vídeos também é perceptível a mesma chamativa qualidade, mostrando que a densidade de pixels trabalha a favor do Nova 3.

Agora a ressalva: em níveis de brilho mais altos fica evidente que o preto desse display não é tão preto assim, sendo o próprio “notch” no topo da tela o fator de percepção da diferença. Ele normalmente fica oculto pela barra de sistema, mas basta elevar o brilho para dar destaque à peça. “Preto suavemente lavado”, é a fraqueza desse belo display que faz o Nova 3 quase dizer “ei, como assim minha tela não é tão legal quanto a do Huawei P20 PRO?”

Mas tudo bem, podemos ignorar a tela do Nova 3 para falar do seu sistema integrado de alto-falantes (sendo somente o inferior ativado para as reproduções multimídia). Infelizmente o resultado é inferior ao que já consideramos ruim em análises anteriores, com som abafado e de baixa intensidade, indicando que a Huawei espera que o usuário utilize fones de ouvido a maior parte do tempo.


ESPECIFICAÇÕES

Dentro do Huawei Nova 3 temos um Chipset Hisilicon Kirin 970 com destaque para:
* CPU Octa-core (4x2.4 GHz Cortex-A73 & 4x1.8 GHz Cortex-A53)
* GPU Mali-G72 MP12
* 4 (ou) 6 GB RAM
* 128 GB de armaz. interno (com suporte microSD)


USABILIDADE + DESEMPENHO

Durante nosso período de testes o Nova 3 rodava o Android 8.1 (Oreo) com a EMUI 8.2 da Huawei sobre o sistema.

É bom pontuar que a Huawei faz parte do seleto clube de fabricantes que produzem os próprios Chipsets para alguns de seus aparelhos mais “VIPs”, e isso se aplica ao Nova 3, que utiliza o melhor chip da empresa (até o momento), sendo um irmão quase gêmeo do P20 PRO já analisado aqui no Canaltech (e que durante os testes se provou um topo de linha, assim como esperado e anunciado sobre o modelo).

Utilizar o Nova 3 com seu Kirin 970 é optar por um topo de linha, mesmo que o aparelho não se apresente com esse cartão de visita. Simples assim. Você poderá rodar todos os títulos pesados da Play Store sem problemas de desempenho.

Seria algo como conseguir um aparelho com desempenho próximo ao OnePlus 6, disfarçado de “modesto” (mas com um poderoso KIT dentro da carcaça).

Agora uma nota sobre a customização do Android que roda no Nova 3, a EMUI 8.2: é mais uma, como tantas outras (trazendo assistentes redundantes ao que já existe no Android), adicionando duplicatas de programas que já existem na plataforma e pré-instalando alguns APPs aqui e ali. Nada demais, apenas mais uma modificação no Android que não muda completamente o sistema (como a MIUI, por exemplo) mas também não entrega uma experiência limpa para o usuário (assim como os aparelhos Android One), deixando algumas configurações com duplicatas e fora de lugar.

Não irá de fato “atrapalhar” o usuário, porém também não será revolucionário contar com o sistema modificado do Nova 3 no dia a dia.


BATERIA

Dentro do Nova 3 temos uma bateria interessante para um modelo que se disfarça de “leve e compacto” (dada a aparência e manuseio dele).

O aparelho traz suporte ao carregamento rápido de 18W para sua bateria de 3.750 mAh, um número interessante que dá mais gás sem pesar no bolso, quase batendo os 4.000 mAh que tem parecido ser um novo objetivo de “bateria com folga” para modelos não tão grandes.

Durante nossos testes o chipset do aparelho teve uma média de descarga de 18% por hora de streaming contínuo, número que pôde ser elevado para 21% de descarga por hora ao exigir mais performance com uso intenso.

Entre seu bolso e as horas ativas é possível obter 18h de uso combinado com o aparelho, porém fica a nota de que será necessário levar um carregador ou bateria extra em diversos momentos que o usuário faça mais fotos e jogue durante o dia, afinal 3.750 mAh não são uma quantia tão farta de bateria assim, e o Nova 3 pede energia nos momentos mais intensos (aquecendo suavemente no processo, indicando que sua energia está vazando aos poucos).

Sendo assim, o Nova 3 mostra-se um aparelho OK em energia, sem vantagens adicionais.


CÂMERAS

Duas câmeras na frente, combinadas com duas câmeras atrás. Pode parecer uma guerra de números, tal como já vimos diversas vezes na indústria de smartphones, porém nos parece algo honesto nesse caso: é a aplicação da “câmera dupla” que tomou conta da parte de trás dos smartphones, porém na frente do aparelho.

Começando pelos sensores principais na parte de trás do aparelho, temos uma dupla de 16 MP (27 mm) f/1.8 + 24MP (preto e branco, 27 mm) f/1.8 (números que dão pistas para bom desempenho em ambientes mais escuros, porém sozinhos nessa batalha por falta de OIS, a estabilização ótica dos sensores).

Como já demos essa pista logo de cara ao falar das câmeras, precisamos pontuar que o Nova 3 tem capacidade para realizar boas imagens em ambientes com menos luz, porém precisa da sua ajuda para isso (segurando firmemente o aparelho ao realizar os cliques). Estabilização de imagem por software nesse caso é um enfraquecimento do KIT inteiro, de vez em quando registrando tremores em cenas menos favorecidas por luz (como ambientes internos).

Isso também se aplica para as capturas de vídeo em até [email protected]
Em nossos testes ficou claro um item: para obter boas fotos é recomendável que o usuário desative os auxílios embarcados (ou) opere no modo manual. Em geral, o desempenho da câmera sem esse cuidado (ou seja, tirando da caixa e usando) é como uma loteria. O modo AI tenta sempre acertar, mas quando erra podemos notar problemas de saturação na imagem, assim como balanço de branco um pouco fora do esperado para cenas simples de fotografia.

E uma nota importante: a interface da câmera pode ser um pouco confusa para o usuário a princípio; para acessar a câmera secundária de forma independente é preciso caçar a opção nos menus, e somente daí fazer uma foto em preto e branco.

Para os atentos, 24MP (f/1.8) num sensor preto e branco significa mais luz por não haver filtro de cores, logo acertou quem teve o palpite de que as fotos desta segunda câmera tem pouco ruído e pós processamento se comparadas aos resultados do sensor principal colorido de 16MP, que além dos detalhes de AI que já citamos apresenta um pouco de ruído em diversas capturas, com uma quantidade considerável de pós processamento. É quase certo dizer que as fotos do sensor auxiliar preto e branco são mais puras, melhores e mais definidas, porém obviamente sem cores.

A soma da imagem preto e branca no processamento das fotos padrão (feita automaticamente pelo Nova 3) devia ser algo “vencedor”, melhorando muito as fotos finais… porém não é o que acontece, algo estranho para o modelo, mas de certa forma esperado para um celular mais modesto que o P20 PRO.

E entendam: sabemos aqui no Canaltech que nem faz sentido comparar o Nova 3 com o P20 PRO, porém batemos nessa tecla durante toda essa análise pelo chipset compartilhado entre ambos modelos. Apenas por isso.

Agora, indo para a frente do modelo, temos uma câmera de 24MP (26mm) f/2.0 combinada com um sensor auxiliar de 2MP (para profundidade na fotografia).

Vamos logo de cara: é sofrível o efeito de recorte do rosto do usuário para as montagens. Mesmo com todo o sistema de medição com dois sensores (mais o infravermelho), o resultado é falho com recortes bem visíveis e “Emojis” falhando continuamente ao tentar mimetizar os movimentos da boca do usuário.

Fotos com desfoque conseguem manter um lado do fone em foco e o outro em “Bokeh”, por exemplo, mostrando que todos os itens de medição de proximidade de profundidade do Nova 3 terminam como “mais uma tentativa” de recortar o usuário da imagem com sucesso relativo, dependendo de tentativa e erro (e sem milagres, apenas “bons resultados” quando o aparelho acerta). Novamente, um desempenho abaixo do esperado pelo hardware e pelos números oferecidos na teoria do aparelho. A captura de vídeos acontece em [email protected]

Nada de diferente para as fotos tradicionais com essa câmera frontal: pós processamento severo nas imagens (assim como o sensor principal traseiro colorido do aparelho), com fotos que terminam apenas “OK”, um resultado um pouco abaixo do que duas câmeras frontais pareceriam entregar.


VALE A PENA?

O aparelho não se propõe a ser um topo de linha, mas de certa forma acaba sendo quando medimos seu desempenho à parte do conjunto completo; nesse cenário temos uma comparação direta com o Huawei P20 PRO (por conta do Chipset que move o aparelho).
Levar o Nova para casa no lugar do P20 significa a mesma potência, porém com um pouco menos de bateria em números (e em tempo de tela ativa também); não é possível também ignorar a tela consideravelmente inferior do Nova 3, além da câmera (muito) mais humilde na traseira (porém um pouco mais interessante na frontal).

Se você já estava de olho no P20 PRO, pense que o preço cai pela metade ao optar pelo Nova 3, que custava cerca de US$ 650 na data de publicação desta análise; para quem não se recorda, o preço do Huawei P20 PRO girava em torno de US$ 1.100 na mesma data, logo o Nova 3 é uma opção menos cara com menos desempenho de foto e tela.
Será que vale a pena sacrificar um pouco de tudo para ficar com um desempenho alto num preço menor? Isso só o perfil de cada usuário poderá dizer.

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