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Samsung Galaxy S10: tecnologia e preços de ponta [Análise / Review]

16:36 | Por Wellington Arruda | 13 de Março de 2019
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Ficha técnica

Ok, a Samsung não conseguiu guardar tanto segredo até o dia da apresentação dos novos S10. Ela já havia mostrado o Infinity-O no final de 2018, que é a evolução natural ‘Display Infinito’, mas colocou um monte de tecnologia legal nesta nova geração.

Nos novos Galaxy S10, S10e e S10+ nós temos esse “buraco” (que é duplo na versão maior) para a câmera de selfies que fica na tela. Os três também compartilham um monte de características, mas hoje nós vamos focar no S10.

E, sim, o novo smartphone da Samsung é muito bom. Ela “fugiu” do notch ao adicionar um buraco no display, fazendo com que apenas na parte inferior tenha um pouco mais de borda, que é onde ficam os sensores de luz ambiente e proximidade. De resto, as 6,1” de AMOLED Dinâmico preenchem muito bem a frontal.

São ~157 gramas em um corpo com Gorilla Glass 5 na traseira e alumínio nas laterais. Na frente, ele usa a sexta geração da solução da Corning para proteção. O design elegante, é claro, não esconde que o S10 também é escorregadio como dezenas de outros celulares de vidro nos dois lados.

Dentre algumas coisas legais, ele continua com a entrada de 3,5mm, a certificação IP68 resistente à água e poeira, está mais leve que o S9 e ainda traz o slot (híbrido) para cartões microSD de até 512 GB.

Se você não curtir o aspecto natural dele ainda pode esconder essa câmera frontal. Mas... fazer isso deixa ele bem esquisito e cria uma “área morta“ na parte superior da tela. A propósito, a fabricante manda o aparelho de fábrica com uma película especial e uma capinha de proteção.

Uma outra opção seria usar esses papéis de parede para dar uma disfarçada, sabe?! O Léo, nosso cinegrafista, até lembrou que isso poderia ser aquele encaixe para um chaveiro, sabe?! Enfim…

Por ser um pouco mais esticado que o S9, algumas pessoas podem sentir menos conveniência com o botão de energia do celular que ficou lá para cima. Ah, e a tecla Bixby pode ser “remapeada”: se você optar por acionar o assistente com dois cliques, pode usar apenas um clique para abrir algum app. Mas só isso, mesmo. Não rola substituir com outro assistente virtual.

A Samsung adotou um gesto mais responsivo para reduzir o display do aparelho, e também um atalho para rotacionar a tela do celular com mais facilidade. Isso é bem útil.

O visual polido do S10 lembra as curvas do Galaxy Note. Agora, com o sensor ultrassônico que fica sob o display, o aspecto minimalista deixa a traseira dele mais limpa. Aliás, o sensor funciona bem, mas não é perfeito: ele vai fazer a sua leitura com a digital molhada/suada/suja, mas é menos rápido do que no sensor físico do S9+ ou até do S10e.

A propósito, recomendamos usar o leitor biométrico como medida principal de segurança, além do PIN, senha ou padrão do Android. O leitor facial foi burlado aqui com a gente com um simples vídeo gravado com outro Galaxy S10.

A tela do S10 carrega muita tecnologia importante, mas também qualidade. A companhia vem evoluindo a performance dos seus painéis OLED e nesta geração atingiu uma excelente qualidade de imagem e precisão de cores.

Ela é muito brilhante, então usar o celular sob luz solar forte ou de forma angulada não é um problema. A propósito, há também um ‘Modo noturno’ que deixa quase tudo com um tema escuro, o que pode te salvar um pouco de energia.

Nós usamos o S10 por aqui com a resolução máxima disponível (WQHD+, 3040 x 1440p) e com o modo ‘Natural’ de cores. Mas você também pode optar pelo ‘Vívido’, que deixa as cores mais saturadas e brilhantes.

A Samsung também chama este aqui de display cinematográfico. Ele carrega a tecnologia HDR10+ que está disponível em TVs da marca, mas há pouco conteúdo neste formato disponível atualmente. Com o S10, entretanto, você pode gravar em HDR10+.

Também houve uma redução de 42% na emissão de luz azul, que é nociva para os olhos, em relação ao S9+. Esse “furinho” também incomoda menos do que o que nós vimos se popularizando nos últimos meses. Ele fica numa área que não atrapalha no uso dos apps, mas definitivamente não vai passar despercebido. Especialmente assistindo vídeos.

O aparelho conta ainda com saída estéreo de som, sendo uma dedicada na parte inferior e outra bem espremidinha lá no topo. Ele conta com otimizações da AKG e suporte ao Dolby Atmos, então espere por saídas barulhentas e com níveis de ruído abaixo do que pode ser considerado incômodo para um celular desse preço, embora volumes mais altos naturalmente apresentem distorções.

Os fones da AKG, presentes no S8 e S9, também tem qualidade sonora muito legal, só que mais “flat” e com menos graves. E eles são brancos, é claro.

O S10 roda o Android 9 Pie com a primeira versão da nova interface da Samsung. A One UI deixa os botões e pontos de interação na área inferior, o que faz todo sentido, e exibe informações, títulos e afins na superior. Como não há gestos de “arrastar” as páginas em todo lugar, isso deixa a usabilidade mais confortável com apenas uma mão, por exemplo.

Quem acompanhou os dias de TouchWiz com certeza olha para One UI e sente uma boa simplificada nos processos, como na animação das screenshots que ficou mais discreta, ou no controle do volume, ou nas notificações.

A Samsung também trouxe gestos de navegação para o S10. São três barrinhas como nos botões do Android, e eles são sim bem práticos, mas não trazem mais facilidade no uso do sistema.

No geral, você ainda conta com recursos já conhecidos da marca, como a Pasta Segura, Dual Messenger, Game Launcher. Agora também tem o ‘Espaço infantil’ que permite crianças navegarem em um ambiente controlado. Ele sugere apps educativos e o ‘Controle parental’ deixa os pais administrarem o tempo de uso e mais.

Tem também a ‘Proteção contra toque acidental’, que evita que o sensor ultrassônico seja acionado sem querer. Na tela do Always-on Display você também pode escolher para acionar ele com um toque, despertar a tela com dois toques, ou apenas levantar o celular para despertar.

Mas, bem, a One UI tem vários lados positivos e alguns negativos. O mais chatinho deles é o assistente Bixby. Ele não está disponível em português, mas agora pode se adaptar às suas rotinas e realizar tarefas automatizadas. Só faltou ter comandos e ser funcional para os brasileiros, o que não foi possível até o fechamento desta análise.

Alguns apps da Samsung também fazem a mesma coisa de alguns do Google e ambos vêm pré-instalados, o que não é, em si, algo negativo. Só confuso, mesmo.

A propósito, aqui no Brasil o S10 vem com o chip Exynos 9820* e não com o Snapdragon 855. Ele conta ainda com 8 GB de RAM e 128 GB de espaço interno. No uso normal e até intenso, você sente uma ótima fluidez do sistema e navegação rápida, inclusive na troca de aplicativos ou no uso de dois ao mesmo tempo.

O S10 é o tipo de smartphone que vai aguentar muito bem os aplicativos e evoluções naturais dos próximos anos. Então, para quem busca um smartphone para trabalho, jogos, redes sociais ou atividades que exigem mais processamento, ele vai proporcionar uma ótima experiência. Ele também tem desempenho adaptativo, que normalmente favorece os aplicativos que você mais usa para que eles sejam abertos com mais velocidade.

Se, por acaso, você for do tipo que não curte tantas animações do sistema, lá nos ajustes há uma opção para reduzi-las (e você também pode fazer isso nas opções de administrador do Android).

Junto a isso, a Samsung colocou uma bateria de 3.400 mAh com carregador de 15W, além do suporte ao carregamento por indução também de 15W. A novidade aqui, claro, é o Wireless PowerShare, que você pode usar para carregar outros dispositivos compatíveis com a tecnologia Qi.

Esse novo recurso é bem legal, porém limitado a 4.5W. Ele pode ser ideal para carregar, por exemplo, os novos Galaxy Buds, já que em celulares nós tivemos a seguinte métrica: colocamos o S10 com 38% para carregar um iPhone com 25% por 30 minutos; o resultado foi que o S10 caiu para 30% e o iPhone subiu para 28%. O recurso só funciona se o S10 tiver mais de 30% de carga.

No uso diário ele não impressionou, mas também não decepcionou. Ele se manteve na média do dia inteiro de uso, saindo da tomada pela manhã e precisando de uma nova carga sempre no fim da noite. Quem for usuário mais intenso pode precisar de um carregador portátil por perto, ou de uma nova carga em algum momento do dia.

O carregamento total dura 1h40, ou cerca de 50% em 30 minutos. Em nossos testes de estresse, ele teve uma média de descarga de 9% por hora.

O S10 chegou com três câmeras: a principal tem 12 MP (f/1.5 - f/2.4) e ângulo de 77°; a telephoto com 12 MP (f/2.4) e ângulo de 45°; e a recente ultra-wide de 16 MP (f/2.2) com ângulo de 123°. As duas primeiras têm OIS e PDAF, enquanto que a terceira tem foco fixo.

Ele também faz fotos em RAW e grava vídeos em formatos econômicos. Os vídeos em HDR10+ ainda podem ser convertidos para um padrão mais funcional para outros sites na ‘Galeria’ do aparelho. Aliás, recursos como o ‘Superestável’ funcionam no limite da resolução [email protected] e com a câmera de ângulo aberto para fazer os recortes necessários.

Ainda nos vídeos, o S10 pode gravar em [email protected], e o modo de estabilização eletrônica é funcional em quase todas as resoluções. O ‘Super Slow-Mo’ agora tem modos de 0.4s em 720p ou 0.8s em 480p, ambos em 960fps. Ele é divertido, mas ‘Movimento lento’ certamente é mais simplificado e funcional.

Nas fotografias em si, o Galaxy S10 faz um ótimo trabalho no sensor principal. As imagens são bem detalhadas, com nitidez, ruído reduzido e cores vívidas, mas sem exageros. Em imagens externas o HDR faz um trabalho muito bom na preservação dessas características, o que certamente vai lhe render cliques bonitos e rápidos. Os cliques noturnos com o sensor principal também agradaram, mas claro que sem tanto detalhamento quanto num ambiente controlado.

O sensor telefoto, com zoom óptico de 2X, faz um trabalho semelhante ao da câmera principal. Ele é muito legal para fazer cliques se você estiver mais afastado, o que certamente também pode lhe render ótimas imagens. Nestes dois casos, as câmeras não são muito diferentes (nas specs.) do S9+, porém deram um salto na preservação de cores e alcance dinâmico.

Já o sensor de ângulo super aberto, é claro, tende a distorcer os cantos, então fotos muito aproximadas geram um efeito esquisito. Mas, de forma geral, essa é a lente mais divertida. Em locais com boa abertos e bem iluminados, as imagens ficam limpas, detalhadas e com cores muito bonitas. Durante a noite, este é o sensor que mais sofre com perda de qualidade.

A propósito, a Samsung tem um “modo noturno” que funciona às vezes, mas nem de perto faz um controle semelhante como no ‘Cena Noturna’ do Pixel 3. Quem sabe com um update na câmera a fabricante não traga algo mais concreto, como no ‘Otimizador de cena’ ou nas sugestões do software para um melhor enquadramento e afins.

Outra coisa que é importante ser citada é que o HDR, por vezes, pode elevar a exposição e acabar com algumas sombras ou áreas escuras. Ah, a câmera também tende a suavizar texturas e “imperfeições” do rosto, mesmo com o embelezamento desativado.

As selfies do S10 são registradas por um sensor de 10 MP (f/1.9) com PDAF. Ela também faz boas imagens, ainda que dando a mesma suavizada na pele. De qualquer forma, este sensor está calibrado de modo que as fotos sejam limpas e com grande quantidade de detalhes.

E isso é muito bom, afinal a Samsung também incluiu novos modos de ‘Foco dinâmico’ que funcionam também em objetos. No geral, o conjunto de câmeras do S10 é muito divertido e funcional, compatível com o valor estipulado pela fabricante. Ele ainda peca em fotos noturnas se comparado a outros aparelhos, mas nós temos aqui um dos melhores celulares para quem curte câmeras em 2019.

Só que ainda tem uma parada: as fotos de “ângulo aberto” com a frontal do S10 não são exatamente assim. É meio confuso, pois o sensor apenas corta a resolução da imagem e altera a proporção entre 4:3 e 9:16.

Com o S10, o aniversariante dos 10 anos da linha Galaxy S, a Samsung fez um ótimo trabalho e deixa sua identidade cada vez mais estampada. O dispositivo tem visual premium com boas características, display e câmeras que fazem ótimo trabalho, seu desempenho ganhou impulso e, claro, carrega conectividade Wi-Fi e LTE de alta velocidade.

Ele tem seus vacilos, como a tela curva nos cantos que reflete bem o sol, ou o leitor biométrico num ponto bem específico. Mas o “modo noturno” que funciona quando quer precisa melhorar para ser usado com mais frequência.

Neste ano, este certamente será um dos celulares de maior destaque e que vai entregar todas as características de um celular muito premium e muito caro com facilidade. Mas isso tudo tem um custo, então pense bem antes do upgrade. Se você pretende usar todo o poder do S10, vá em frente, ele é muito bom mesmo. Se você ainda está confortável com um S8 ou um S9 em mãos, espere mais um pouco por uma redução de preços que vai ficar tudo bem, eles ainda são bons celulares.

A propósito: esses furinhos na tela seriam uma espécie de notch flutuante? O que vocês acham?

O Galaxy S10 desta análise foi cedido gentilmente pela Cellshop 


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